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As Mulheres na Astrologia

  • Foto do escritor: Filipa Araújo
    Filipa Araújo
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura



Quando procuramos as referências sobre astrólogas na história da ciência ocidental deparamo-nos, com muito espanto nosso, apenas com punhado de nomes que talvez nos deixem alguns dedos livres numa só mão.


Se fizermos uma busca rápida na Inteligência Artificial quem são as nulheres que aparecem ligadas à astrologia até ao século XVIII?


Eis os resultados:


  • Heliodora (século II-III d.C.): Recentemente identificada através de uma estela funerária no Egipto greco-romano, é a primeira mulher na história explicitamente nomeada como "astróloga".

  • Hipátia de Alexandria (c. 350–415 d.C.): Embora mais conhecida como matemática e astrónoma, Hipátia viveu numa época em que a astronomia e a astrologia eram disciplinas indissociáveis, sendo perita na construção de astrolábios usados para cálculos astrais.


  • Margaret Sarredy (século XVII): No Reino Unido, foi uma das várias mulheres que praticavam astrologia médica e preditiva, muitas vezes desafiando as restrições legais da época.


  • Caroline Herschel (1750–1848): Embora a sua fama seja científica (astronomia), o seu trabalho de mapeamento celeste foi a base para o desenvolvimento das tabelas usadas por astrólogos posteriores.



Torna-se ainda mais espantosamente diminuta a lista quando perguntamos à IA que nomes de mulheres persas, árabes e islâmicas surgem ligadas à astrologia até ao século XVIII


Eis o resultado da busca:


  • Mariam "Al-Astrolabiya" Al-Ijliya (Século X): Natural de Alepo (atual Síria), foi uma engenheira e astrónoma perspicaz que fabricou astrolábios complexos para a corte de Sayf al-Dawla. O astrolábio era a ferramenta essencial tanto para a astronomia como para o cálculo de horóscopos e posições celestes na astrologia medieval.


  • Mulheres da Dinastia Qajar (Persia): Embora o auge da dinastia Qajar se estenda além do século XVIII, princesas e nobres persas cultivavam frequentemente conhecimentos de ciências e artes, mantendo uma tradição intelectual que incluía a observação dos astros para fins culturais e religiosos.


  • Cientistas de Al-Andalus: Documentos históricos e listas de mulheres muçulmanas em Al-Andalus (Península Ibérica) referem a existência de eruditas, poetisas e cientistas que dominavam as ciências da época, incluindo a astronomia e astrologia, embora muitos nomes individuais tenham sido perdidos.



Em Janeiro de 2025, fizemos um curso de HIstória da Astrologia na escola Moiras e tivemos um módulo inteiramente dedicado às mulheres, que foram determinantes e fundadoras algumas delas no desnvolvimento da astrologia. Foram 10 as mulheres que figuraram nesse curso e apenas três delas constam nas respostas dadas pela IA.



Começamos hoje esta série de textos, que pretendem retirar da obscuridade as mulheres astrólogas e astrónomas que viveram até ao século XVIII, com Enheduanna.



As Mulheres Astrólogas no curso de História da Astrologia Moiras*

princessa, poeta


Quem é Enheduanna?


C, m

Enheduanna, Suméria - 2300 a.C
Enheduanna, Suméria - 2300 a.C


Filha de Sargão I, foi alta sacerdotisa do templo de Nana, o deus lunar, em Ur

(atual Iraque). Esta era uma posição de grande importância nessa sociedade, já que Nana era o deus protetor da cidade-estado de Ur. É reconhecida como sendo a primeira mulher autora a assinar próprias obras, incluindo 42 hinos e poemas que fundiram as teologias suméria e acádia.


Enheduanna era não só sacerdotisa, como matemática e, muito possivelmente, a primeira mulher que temos evidencias de ter sido astrónoma, logo astróloga, portanto responsável por monitorizar os ciclos celestes para determinar calendários e rituais sagrados.




Tábuas com inscrição " A Exaltação de Inana", de Enheduanna, sec. 23 a.C
Tábuas com inscrição " A Exaltação de Inana", de Enheduanna, sec. 23 a.C

Num dos seus hinos a Ishtar, a deusa do Amor e da Guerra, que hoje associamos a Vénus escreveu:


Essa mulher singular e única

que dirige palavras de ódio ao malvado

que se move se move entre as coisas brilhantes

que se opõe às terras rebeldes

e que no crepúsculo, sozinha, torna o firmamento belo




No Hino 42 do Templo é a própria Enheduanna que surge assim descrita:


A verdadeira mulher de sabedoria insuperável

que arrefece as sobrancelhas do povo de cabeça negra

consulta uma tábua de lápis-lazuli

distribui o concílio em cima

e estende a corda de medir na terra.

Nisaba, seja louvada





O próximo texto é sobre uma astróloga medieval da atual Península Ibérica - Al-Andaluz.




*Texto síntese da aula sobre Enheduanna integrado no curso Mulheres na Astrologia Tradicional. O curso abre novamente em breve.

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