Moiras em viagem
- Moiras Filipa & Patrícia

- há 3 dias
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Nos passados dias 17, 18 e 19 de abril, contrariando a conjunção saturno-marte em Carneiro e honrando Júpiter em Caranguejo, as Moiras acompanhadas por um grupo de alunos partiram do Porto com destino a Córdoba – no al-Andalus.
Tratou-se da segunda edição daquilo que carinhosamente designamos por Viagens Culturais com Alma das Moiras. Trata-se de visitas de estudo a locais com interesse para a astrologia tradicional, destinadas exclusivamente aos alunos Moiras, e que incluem visitas guiadas a locais arqueológicos, museus, entre outros, com o bónus de palestras andantes.
Deixamos aqui uma pequena amostra daquilo que abordamos nestes três dias.

Em 711, um pequeno exército de homens a cavalo, composto por árabes oriundos do oriente e berbéres do norte de África, atravessam o estreito de Gibraltar, entrando na Península Ibérica.
Muito rapidamente, ganharam o controle destas terras. Poucos meses após passarem o estreito de Gibraltar, dominavam já Toledo, no centro de Espanha. Em 714, dominavam Saragoza, perto de Barcelona, entravam em território francês e controlavam praticamente todo o território da Península Ibérica.

A este território chamaram o Al-Andalus, الأندلس; sendo que o território mais ocidental do Al-Andalus era conhecido como Garbe Al-Andalus (“ocidente de Al-Andalus”) e abrangia grande parte do atual território de Portugal.
O centro político e cultural do al-Ándalus foi, até ao séc. XI, Córdoba .

Para compreender Córdoba, há que fazer uma viagem no espaço, até à atual Síria, e no tempo, ao ano de 750.
Em 750, após anos de guerra civil, os Abássidas derrotaram os Omíadas - os Abássidas são descendentes de Abas, o tio mais novo do profeta Maomé, da mesma maneira que a dinastia Omíada havia sido fundada por Moáuia I, governador da Síria.
Os Abássidas deram o seu melhor para eliminar todos os membros da dinastia Omíada. Num acontecimento que ficou para a história como “O Banquete Sangrento” – e que inspirou o famoso episódio “ Red Weading" da Guerra dos Tronos – um dos chefes Abássidas convidou cerca de 80 membros da dinastia Omíada para um jantar, alegando ser um jantar de reconciliação e negociação de paz. O jantar viria a ser um embuste e os Omíadas foram chacinados. Apenas um príncipe escapou com vida à carnificina, tendo fugido para o norte de África e daqui para Espanha. Tratava-se de Abd al-Rahman, que em Córdoba encontrou o apoio dos árabes que aqui se encontravam desde 711.
Abd al-Rahman viria a ser Abd al-Rahman I, emir, fundador do Emirato de Córdoba em 756. Ele e os seus sucessores viriam a governar o Al-Ándalus até ao Sec. XI, estabelecendo em Córdoba um dos maiores centros culturais, intelectuais e científicos do mundo.
O auge desta governação Omíada ocorre com Abd al-Rahman III, que reinou entre 912 e 961, e adotou para si o título de califa.
Ora, emir é um título nobre, militar ou político, mas califa significa "sucessor de Maomé", o enviado de Allah. O califa é, assim, o chefe político e espiritual do mundo muçulmano. Ao proclamar-se como Califa, Abd al-rahman III rivalizou diretamente com Bagdad e os Abássidas e com os Fatimidas, que se estabeleceram no Egito, fundando a cidade do Cairo em 969.
Voltemos a Abd Al -Rahman I.
Viu a sua família ser dizimada, é ao ser consagrado chefe, emir em Córdoba, precisa de uma mesquita que possa ser um reflexo da sua importância.
Os muçulmanos que haviam chegada à peninsula ibérica em 711, faziam as suas orações numa igreja visigoda que partilhavam a meias com os cristãos – a igreja de São Vicente.
Abd Al-Rahman I decide comprar aos cristãos a sua parte da igreja, dá-lhes autorização para construírem as suas igrejas fora das muralhas da cidade e ordena a demolição da igreja de São Vicente. Estávamos em 785. Em 786 a mesquita estava concluída.
A mesquita de Córdoba foi sendo alvo de ampliações ao longo dos tempos.

Destaca-se a beleza estonteante do mirahb ( o nicho que nas mesquitas fica sempre no meio da parede da qibla) e da parede da qibla (parede que indica a direção da Kaaba, em Meca) com inscrições corânicas.

Numa destas inscrições em torno do mihrab lê-se: “louvado seja Deus que favoreceu al-Hakam II, servo de Deus, e o ajudou a construir este local eterno com o objetivo de tornar esta mesquita mais espaçosa para os seus súbditos”.


Com efeito, a beleza, a serenidade e a paz desta mesquita perduram até hoje. Os seus 365 arcos de ferradura apoiados em mais de 800 colunas não deixam ninguém indiferente. É, sem dúvida, uma das maravilhas do mundo e foi um privilégio percorrer com os nossos alunos os seus corredores.


Em breve segue o texto sobre a Medina AZhra no 2º dia da viagem


